A FRIEZA INEVITÁVEL DO PÓS-MODERNISMO

Muitos conservadores se assustam com o pós-modernismo pelo seu ataque implacável e constante às tradições. Alguns deles se apegam a elas como um náufrago que se agarra em um pedaço de madeira e não estão errados em se preocupar com este fato. Porém, a tradição não é o alvo principal dos ataques dessa gente; eles atacam o amor e a verdade – os fundamentos divinos do cristianismo. As tradições, evidentemente, acabam por ser atingidas por terem uma conexão com o Amor e a Verdade, pois são representações de verdades metafísicas.

Aqueles que vão contra o Amor e a Verdade vão contra Jesus Cristo, pois ele é a Verdade e o Amor em essência. Logo, a militância contra “a civilização judaico-cristã”, acaba, na prática, sendo uma militância contra Jesus Cristo: contra seus ensinamentos, contra seu povo, contra tudo o que Cristo plantou nesse mundo – embora muitos destes militantes nem se deem conta disso. Alguns até acham que estão do lado de Cristo por se enganarem dizendo que “espalham amor”, que nem Jesus. Mas não temos relatos que Jesus tenha espalhado o amor riscando as paredes do Templo, ou xingando os soldados romanos.

Além disso, a ação dessa militância revolucionária vem trazer confusão onde quer que seja possível. A primeira é acabar com o conceito de verdade objetiva, que por sua vez determina uma moral objetiva, mas eles são contundentes contra as injustiças do mundo. Em outras palavras, não existe o certo; mas o que você faz é errado. Depois vem aquele relativismo moral que traz à tona as “questões do século XXI”: aborto, direitos LGBTQ, laicismo, direitos humanos aos homens desumanos, feminismo. Todas cheias de contradições internas que, se levadas a sério, levam a um estado de histeria que beira a loucura – alguns até atingem a loucura. Matam a consciência individual e transformam o militante numa peça de uma máquina maior. Ele não pensa por si mesmo, é um representante de sua “classe”.

No meio disso tudo está a população desavisada. Depois de tantas repetições nos grandes meios de comunicação, ela chega à seguinte conclusão: os tempos mudaram. Aquilo que valia ontem não vale mais. Sem o costume da reflexão, do exercício de enxergar as coisas numa visão que nos transcende (é isso que é a moral cristã), o desavisado tem dois caminhos: ou aceita os “novos tempos”, ou fica indiferente.

A juventude tende a escolher a primeira opção. A fome por coisas novas não resiste a essa “nova aventura social”. Por isso que a ala “progressista” é feita de pessoas muito jovens, ou pessoas velhas que pararam de se desenvolver aos 16 anos, ficaram parados no tempo mentalmente. Dificilmente você vai ver alguém de idade, maduro, centrado e inteligente nesse grupo. O restante das pessoas tende a escolher a outra opção: a indiferença. Devido à incapacidade de refletir sobre o que está acontecendo, o homem médio se recusa a tomar partido e se prende em sua bolha. Só que o século 21 tem muitas variedades de bolhas: álcool, prostituição, excesso de trabalho, baladas, videogames, vibes e tem o pacotão com todos os itens.

Então nós temos uma grande massa constituída de pessoas que abortaram suas consciências para adotarem uma consciência coletiva e pessoas que não está nem aí pra ninguém. Qual é um dos resultados disso? A frieza. As pessoas do segundo grupo adotam o egoísmo como proteção do caos. É aquela coisa: “se não mexer comigo, nem nas minhas coisas, tô nem aí.” As pessoas do primeiro grupo olharão para o restante das pessoas como uma variedade de classes, umas oprimindo, outras sendo oprimidas e todas as suas ações não visarão o bem do indivíduo enquanto indivíduo (isso é o Amor Ágape), mas enquanto membro de uma determinada classe. Logo, o Amor não existe em nenhuma das duas opções. O Amor é manifestado de indivíduo para indivíduo e não de classe para classe (por exemplo, a classe dos “iluminados” lutando pelo “bem” dos pobres, das mulheres, dos negros, dos gays, etc.).

Daí aquela impressão de que ninguém liga pra ninguém – mas não liga mesmo! Só podemos, de fato, amar uma pessoa, se sabemos o que é amor; e amor não é complacência, pois tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. Não a toa Cristo mandou que seus discípulos amassem como ele amou, porque Ele era o amor; logo, se amarmos uma pessoa como Cristo a ama, verdadeiramente a amaremos. Se apenas somos complacentes, esse amor não é Ágape, é Eros – é no máximo uma simpatia, uma atração, que pode ser desfeita na primeira desavença, por ínfima que seja (é o tal do amor líquido, que se fala tanto por aí). O Amor é Ágape.

Essa é uma das consequências inevitáveis de atacar e fazer com que Jesus Cristo seja desacreditado. Esse é o preço que se paga por não admitir que Cristo é o que Ele realmente é – a saber: A Verdade; mas considerá-lo como um personagem histórico, ou um homem que disse algumas coisas bonitas, ou pior, como uma lenda, uma mentira. Ao tirar da vida social o Amor e a Verdade, o que fica é a indiferença e o caos – eis o mundo ocidental hoje.

As tradições podem sobreviver ao mundo pós-moderno, como um artefato cultural, ou mesmo tendo em vista vantagens econômicas. A família tradicional pode sobreviver, não mais como base da sociedade, mas como uma das várias manifestações possíveis de relação familiar entre seres humanos. É possível que essas coisas tão importantes para nós, conservadores, ainda sobrevivam; mas o conservador não quer blindar suas tradições e costumes apenas, quer a Verdade. E a Verdade e o Amor são possíveis, de fato, em Jesus Cristo. Antes de tudo, é necessário que Cristo viva em nós. Esse deve ser o objetivo de todo cristão. Por consequência, de todo conservador.

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