Por que é importante saber defender a existência de Deus?

Em alguns ambientes cristãos, é comum muita gente olhar para a teologia, em especial a apologética e afins, com um desdém colossal. Julgam que não serve pra muita coisa, que é perda de tempo, muitas vezes porque não entendem ou porque isso não é importante no seu cotidiano e nos ambientes que frequenta. Sinceramente, eu não vejo nada de errado em não ser um grande conhecedor das coisas. Ninguém precisa ser um gênio, intelectual ou coisa do tipo. Mas isso não significa que por não conhecer certos assuntos, você está acima dele – logo, pode julgá-lo. Isso se chama humildade. O que sei, seja pouco, seja um pouco mais, sei; o que não sei, não sei e ponto.

Essa indiferença quanto aos debates filosóficos que envolvem a fé cristã é um dos fatores que tem ajudado na expansão de um pensamento anticristão, influenciando gradualmente todas as esferas da vida humana, incluindo a política. A política, por sua vez, querendo ou não, atinge a vida de todos nós. Daí aparecem as perseguições que tem causado espanto aos cristãos no Ocidente. Processos judiciais por não ir contra a fé nos Estados Unidos, por exemplo, além de uma clara militância contra tudo o que faz parte da herança cristã – como a família mononuclear, monogamia, e tudo quanto tem incomodado os cristãos nos dias de hoje.

Agora, todo esse movimento anticristão, seja brando, seja radical, tem uma premissa comum: Deus não existe. Quando eu digo “Deus”, me refiro ao Deus Trino, à Trindade Divina, ao Deus dos cristãos. Essa premissa pode aparecer de várias maneiras:

a) A mais branda, que tem atraído até alguns cristãos desavisados, é a de que Cristo não é a Verdade, mas uma das verdades possíveis. Nessa vertente, Deus não é aquilo que os cristãos pregam, mas é uma entidade que engloba todas as crenças, todas as religiões e todo mundo está certo ao mesmo tempo.

O problema é que isso não pode ser verdade em hipótese alguma. Entre as religiões, existem diferenças incontornáveis. Quando aparece uma situação desse tipo, as partes podem estar erradas ao mesmo tempo, mas nunca certas. Além disso, como é óbvio, isso não pode ser aceito pelos cristãos porque Cristo afirmou categoricamente que Ele É a Verdade e o Único Caminho para Deus. Dizer que o cristianismo é uma das “verdades possíveis” é dizer que há outros caminhos para Deus, outras “verdades”. Isso, por si mesmo, é contrário ao cristianismo.

Portanto, para quem adota esse pensamento, Deus existe, mas não é o Deus cristão, é um outro deus. Então, eles estão falando para nós: “o seu Deus não existe”. E como, para nós, não há outro deus, é o mesmo que dizer “Deus não existe”.

b) Outra vertente, que parece muito com a anterior, mas é mais agressiva, é a de que Deus é aquilo que o sujeito acha que é Deus. Parece confuso, mas é aquele chavão de sempre: “seu deus, sua crença; meu deus, minha crença. Fique com a sua que eu fico com a minha.” Experimente expressar publicamente uma verdade bíblica que não agrada a massa incrédula. É quase automático. Além desse chavão, vem algumas ofensas, acusações, relatos de fulanos cristãos que fizeram isso e aquilo; é sempre a mesma coisa. Algumas dessas pessoas até creem que Deus existe (o diabo também crê, né?), mas não é o que tá na Bíblia. “A Bíblia foi escrita por homens”, “eram outros tempos, nós evoluímos”, “A Bíblia está defasada, atrasada no tempo”… Tudo isso deriva da ideia errada de que Deus não é um Ser perfeito, real, objetivo, pessoal, justo, firme e imutável e que a Bíblia não é Palavra de Deus. Ou seja, Deus não é o que a Bíblia diz que Ele é.

É dessa vertente que surgem os “jesuses” da pós-modernidade. Tem o Jesus hippie, o Jesus comunista, o Jesus psicólogo, o Jesus amigão de todo mundo (que aceita tudo o que as pessoas fazem), o Jesus filósofo, e não sei mais o quê. Todo dia tem um Jesus diferente. Jesus pode ser tudo isso, menos o Alfa e o Ômega, o Verbo, o Princípio e o Fim, Senhor dos Senhores. O que acontece aqui é que as pessoas não veem Jesus como autoridade, mas como sujeito às vontades pessoais do indivíduo. O centro da vida dessas pessoas são elas mesmas.

Mas isso não significa, necessariamente, que eles afirmem que Deus não existe. Porém, se os princípios morais não são objetivos, mas subjetivos, logo, não existe um parâmetro moral das coisas. Se não existe um parâmetro onde as ações humanas podem se encontrar como boas ou más, Deus não existe, pois Deus é esse parâmetro. As ações são boas ou más na medida que se aproximam ou se distanciam do caráter de Deus. Portanto, nessa vertente, Deus existe apenas como uma construção social; então, não existiria de fato. Agora ficou mais claro o chavão “seu deus, sua crença; meu deus, minha crença”: cada grupo humano constrói um (ou cada indivíduo), então não vale universalmente. Tudo isso implicitamente diz que Deus não existe de fato.

c) A mais contundente e a que ganha mais audiência é a militância ateísta. Essa afirma categoricamente que Deus não existe em nenhuma hipótese e que somos acidentes da natureza e que a vida não tem sentido nenhum.

Quais são as principais consequências desse ateísmo explícito ou velado?

1. Produz-se uma ideia de que a verdade objetiva como um todo não existe. É aquele outro chavão: “a única verdade absoluta é que não existem verdades absolutas. Tudo é relativo.” Assim, fica muito mais difícil o diálogo, fazendo com que a sociedade se fragmente, ou melhor, que a sociedade seja composta de vários fragmentos sociais isolados e mutuamente hostis – embora compartilhem o mesmo espaço e cultura, em certos aspectos. Nesse contexto, tolerância não pode significar outra coisa senão indiferença. Não mexe comigo e eu não mexo com você.

2. Toda manifestação de fé cristã se torna retrógrada, ameaçadora e precisa ser combatida. Não a toa o marxismo, que é materialista extremo, considera o cristianismo como “ópio do povo”, que faz com que os humanos não “evoluam”. “Evolução” aqui significa apenas a adaptação às circunstâncias e valores atuais, e não uma superação espontânea e livre de imperfeições. “Evolução” é o mesmo que conformidade. O cristianismo é “retrógrado” porque se funda em premissas “superadas”, como a existência da verdade objetiva, por exemplo.

3. Perda do senso de hierarquia. Jogar um papel na rua é tão ruim quanto afundar uma nação inteira. Perdidos na relatividade, tudo pode ser bom, ótimo, ruim ou péssimo. Por isso a indiferença quanto a atrocidades cruéis e revoltas contra episódios esporádicos e de pouca importância (Ironicamente, da mesma forma que as pessoas definem o que é Deus, definem sua própria hierarquia de valores. Para algumas pessoas, sessenta mil assassinatos por ano não assustam; mas um cachorro comer pé de frango é inaceitável).

4. Tudo o que conhecemos como sociedade ocidental corre perigo ou já foi destruído. Respeito à vida, às crianças, às liberdades, à família, ao sexo, à dignidade. Pois não se pode recorrer ao sagrado, pois se Deus não existe, o sagrado não existe. Portanto, a vida não é sagrada (aborto, nazismo, comunismo); a infância não é sagrada; as liberdades não são sagradas (podem ser abolidas em favor dos “novos tempos”); a família não é sagrada (divórcios); o sexo não é sagrado; a dignidade não é sagrada. Todos estes termos podem ser remodelados conforme a situação exigir.

Todas essas mudanças nos dão a sensação de “novos tempos”. De tanto que repetem isso parece que todo mundo acreditou. De fato, são outros tempos, mas isso não significa que os fundamentos deste novo tempo são reais – e é nisso que consiste esse esforço colossal da militância pós-moderna (seja ateísta, progressista, manobrista, etc): te convencer que tudo o que está aí é normal e é correto. Tudo isso está firmado na crença implícita que Deus não existe – ou não existe de fato, ou não existe como a Bíblia diz, mas não existe. Essa é a importância de saber defender a existência do Deus cristão: para fazer um contraponto a tudo aquilo que ameaça as boas coisas do Ocidente que o dinheiro não pode comprar.

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