“Ressuscitou-nos com Cristo e nos fez assentar com Ele nos lugares celestiais…”

***Sermão proferido pelo Pr. André Assalin no Parque São Bento***

“E estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo — pela Graça sois salvos, e, juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus.” (Efésios 2. 5-6)

Você sabe quando se concretiza a salvação de alguém? Na cruz, a dívida foi paga; só que ela vai além quando a pessoa é transformada pela Graça. Ou seja, quando alguém nasce de novo. Ora, se Cristo veio para que fôssemos salvos da lei do pecado, não faz sentido alguém alcançado pela Graça continuar a mesma pessoa má.

Mas como acontece isso? O versículo 5 diz: “E estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristopela Graça sois salvos”.

 Para consumar nossa salvação, Cristo se fez um conosco. Jesus, na oração sacerdotal (Jo 17), pediu ao Pai o seguinte: “Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por intermédio da sua palavra; a fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste.”[1]

 Por isso essa expressão juntamente com Cristo é tão importante de entender. Por essa razão também, a Bíblia compara a união da Igreja com Cristo como um casamento. É nesse sentido que somos um com Cristo. Não tem como separar, somos dele. Aleluia![2]

            Jesus se identificou com a nossa humanidade fazendo-se homem:

            “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de Graça e de Verdade, e vimos a sua glória, glória como unigênito do Pai.” (Jo 1.14)

            “Visto, pois, que os filhos têm participação comum de carne e sangue, destes também ele, igualmente, participou…” (Hb 2.14a)

 Tudo aquilo que passamos na carne, Jesus também passou. Até aquelas coisas “desonrosas”… Ele não precisava disso. Ele apanhou, foi despido, cuspido na cara… Por que ele fez isso? Sem precisar? Além de se rebaixar, vindo em carne, ele se fez pecado pra salvar essa criatura, que sou eu, que é você. Ele não cometeu pecado, mas tomou o pecado que era nosso. E o salário do pecado é a morte; logo, para que vivêssemos, Ele tinha que morrer.

A morte não foi criada por Deus – foi consequência do pecado. Então, Cristo, sendo Deus, se faz pecado e morreu a nossa morte.

            “Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus.” (2Co 5.21)

            Jesus se identificou conosco fazendo-se maldito na cruz:

            “Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar (porque está escrito: ‘Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro’)”. (Gl 3.13)

            Identificou-se com o nosso castigo, sofrendo em nosso lugar:

 Aquelas chibatadas eram para o nosso lombo; aquela coroa de espinhos era pra nossa testa; aquela cruz era pra nos matar.

            “Certamente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas culpas levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido. Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados.” (Is 53. 4-5)

Quando olharam Jesus na cruz, provavelmente pensaram: “Esse homem não tem nada de Deus, deve ter feito muita coisa errada.” Mas o versículo 5 explica: ele foi moído pelas nossas iniquidades. Pelas suas pisaduras fomos sarados.

Por isso, toda vez que você ouvir que “a Graça é de graça”, pense duas vezes. É como se fosse um presente de um pai para o filho, vamos supor um carro. Então o filho sai com o carro e alguém pergunta: “Legal, cara! Quanto custou?”; e o filho responde: “Não custou nada!”. Custou sim. Nós não pagamos nada, mas alguém pagou essa Graça para nós – e foi um alto preço.

            Quando ele foi crucificado, nosso velho homem foi crucificado com Cristo:

            “Sabendo isto: que foi crucificado com ele o nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja destruído, e não sirvamos o pecado como escravos.” (Rm 6.6)

Você já está crucificado com Cristo? Se fomos crucificados com ele, nós estamos mortos. O nosso “eu”. Quando alguém diz algo, da parte de Deus, que desagrada o crente, muitas vezes esse crente se revolta, “faz bico”, rejeita, reclama. Gozado… morto não faz isso. Deve ter muito crente vivo por aí…

Muitas vezes alguns crentes[3] vivem repetindo aquele chavão: “Ah, pastor… mas eu sou assim! Esse é o meu jeito! Eu não mudo!” Não muda? Isso não é linguajar de cristão. Cristão não vive do seu jeito, vive do jeito de Cristo. Como não mudamos? Ou fomos transformados à imagem de Jesus, ou o quê? “Ah, mas eu sou esquentadinho”; então, deixa de ser. “Ah, mas eu sou bravinho”; então, deixa de ser.

Nós podemos mudar. Nós mudamos.

E se o velho homem quiser descer da cruz? Taca prego nele. É assim. Não tem outro jeito, esse corpo não serve pra mais nada. Pare pra pensar comigo: o homem é espírito, alma e corpo. O espírito, vai para o Pai; a alma é a sede das nossas emoções, pode ser tratada; e o corpo? Se o espírito não dominar a alma, para que a alma mande o comando certo para o corpo, só vamos fazer coisa errada. Por que Paulo chamou os coríntios de carnais? Porque era a carne que os comandava, e não o espírito. O carnal pensa com a carne, por isso não pensa coisa nenhuma. O diabo nos tenta constantemente a descer da cruz; mas assim diz Jesus: “Tome a cada dia sua cruz e siga-me” (Lc 9.23).

            Quando ele morreu, morremos com ele:

            “Pois o amor de Cristo nos constrange, julgando nós isto; um morreu por todos; logo, todos morreram.” (2Co 5.14)

            Quando ele foi sepultado, aquilo que éramos antes foi sepultado com ele:

            “Fomos, pois, sepultados com ele na morte pelo batismo; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também andemos nós em novidade de vida.” (Rm 6.4)

 Como diz o texto, no batismo o homem velho fica lá; saímos de lá para uma nova vida. O inimigo não quer que você entenda essas coisas. É comum ouvir de alguns irmãos que as coisas estão sempre “na mesma”. Na mesma? O cristão anda em novidade de vida! Deus nos trouxe para a vida e vida abundante! Uma qualidade de vida acima de qualquer outra.

Nunca mais responda que as coisas estão “tudo igual”. A vereda do justo é como a aurora que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito. Então, no mínimo responda: “Estou brilhando um pouquinho mais do que ontem.”

            Quando Cristo ressuscitou, o Pai nos ressuscitou com ele:

            “E estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo – pela Graça sois salvos.” (Ef 2.5)

            Quando subiu aos céus, nos fez sentar nos lugares celestiais com Ele:

            “E juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus.” (Ef 2.6)

Deus nos colocou em uma posição privilegiada. Por isso não tem porquê viver discutindo, brigando. Porque temos que entender que quando alguém lança algo contra nós, seja em palavras ou não, nós estamos acima disso. Quando o diabo nos tenta, temos que entender que estamos acima disso. Se você está trombando em pombo, é porque você está voando baixo. E às vezes nós tropeçamos nos pombos; e ficamos chateados, tristes, choramos, ficamos nervosos… E se nos perguntamos por que pecamos, respondemos: “foi porque o irmão me falou aquilo, ou isto”… Gente! Estamos nas regiões celestiais com Cristo Jesus, é outro nível. Quem tromba em pombo é pardal; águia não.

            Se entendermos essas verdades, nossa vida é de vitória.

Pr. André Assalin


[1]     Claro que não estamos falando de panteísmo; estamos falando da unidade cristã, que permite que nós sejamos instrumentos nas mãos de Deus. Ou seja, não somos Deus, mas Ele está em nós; e a unidade entre os santos revela ao mundo que Deus enviou Jesus Cristo (Nota do redator).

[2]     Esse “Aleluia!” também foi do redator. Empolguei mesmo, tô nem aí.

[3]     “Crente”, nesse caso, significa “cristão”; aquele que crê.

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