Desprezo e rejeição.

Existe um fato que ficou muito comum na nossa era, que é a crise da auto-estima. Se a auto-estima não estivesse em crise, não haveria todo santo dia uma frase solta nos meios de comunicação como: “Você é único”, “Você é especial”; além de uma montanha de livros de auto-ajuda, hipervalorização da psicologia, até mesmo movimentos religiosos que procuram resgatar o valor do ser humano – substituindo, às vezes, o próprio Deus. A auto-estima está tão em crise, que virou até moeda política. Os ditos “movimentos de minorias” afirmam categoricamente que são oprimidos, que precisam ser aceitos pelos outros. O que é isso senão falta de auto-estima?

Numa situação dessas, o sentimento que aparece é o de rejeição, de ser desprezado. Porém, é bom fazer uma importante ressalva. Existem os que são desprezados e rejeitados de fato; e os que apenas se sentem desprezados e rejeitados. Sentimentos não são as fontes mais confiáveis para uma leitura da realidade, seja interior ou exterior – já dizia a Bíblia: enganoso é o coração do homem (Jr 17.9). O “se sentir” rejeitado pode ser apenas orgulho frustrado. Pode ser que o sujeito tenha canonizado a si mesmo e pense: “Eu merecia mais, eu sou tão especial e inteligente! Mas ninguém nota! Oh, vida cruel!” Isso é imaturidade. Gênios não precisam da aprovação dos outros. Se você quer ser aplaudido por onde passar, você não é um gênio; logo, não tem razão para ficar frustrado por não ter ganhado o Nobel do ano.

E quanto aos que são realmente desprezados e rejeitados? Existem dois caminhos possíveis numa situação dessas: a frustração ou o forjamento. A frustração é um ponto final na vida. Daquele ponto em diante, ninguém vive, apenas sobrevive. O forjamento, porém, traz um crescimento interior; e este, por sua vez, traz as melhores lições, as melhores personalidades. É a reflexão sincera e pessoal sobre si mesmo. Quem escolhe esse caminho abandona as reclamações fúteis; se por acaso lamentar-se de algo, vai lamentar de alguma coisa que, de fato, é motivo para lamentações. Eu me lembro, por exemplo, de Jeremias, o profeta. Escreveu até um livro chamado “Lamentações de Jeremias”; porém, não era problema de auto-estima, de frustrações da vida. Ele lamentava pelo destino de sua nação, Israel – mas não perdeu a esperança. Jeremias ficou pra história da humanidade.

Ao observar as melancolias e reclamações por aí, vejo que a grande maioria não passa de imaturidade. Absorvemos a ideia de que as pessoas nos devem algo; que somos incríveis; um copo de água gelada no deserto; um caminhão carregado de goiaba bem docinha. Portanto, se não somos tão bonitos, nos sentimos mal; se não temos tanto dinheiro, temos menos confiança; se não temos um corpo atlético, queremos nos esconder ou correr pra academia; se não somos tão simpáticos, nos isolamos e temos medo do que os outros pensam de nós. Tudo isso é coisa de adolescente. Outra vez me lembro da Bíblia, nas palavras de Paulo: “Quando cheguei a ser homem, deixei as coisas de menino” (1Co 13.11).

Eu não penso como a maioria das pessoas pensa. Na verdade, às vezes me bate uma forte impressão que essa conversa toda de auto-ajuda é uma grande baboseira; mas eu sei muito bem o que é uma impressão, por isso não afirmo que isso é baboseira mesmo. Posso estar redondamente enganado – e tudo bem. Quem disse que eu quero ser o dono da razão?

Mas existe uma pessoa que foi a mais desprezada e rejeitada e de maneira injusta. Jesus Cristo. “Era desprezado e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores e que sabe o que é padecer; e, como um de quem os homens escondem o rosto, era desprezado, e dele não fizemos caso” (Isaías 53.3). E como Jesus respondeu a isso? Foi exemplo maior e perfeito em tudo. O valor de alguém não está no seu reconhecimento, mas sim no que realmente é. Quem supera Cristo em qualquer coisa que seja? Em sabedoria, em autoridade, em pureza, em amor? Ninguém.

Duas coisas eu aprendo com o desprezo que Jesus sofreu: a primeira é que nós temos que focar em Deus. Ora, se Deus é por nós, quem será contra nós? A segunda, é que as frustrações são superadas por uma consistência interior. Jesus Cristo é o exemplo em tudo e venceu tudo. Venceu até a morte. Que razão tinha Jesus pra se sentir diminuído (aliás, nem existe essa possibilidade)? No entanto Ele era, de fato, rejeitado e desprezado. Mas isso nunca significou nada.

Quando focamos em Jesus, nós vemos o nosso verdadeiro valor. Vemos que não somos isso tudo. Somos pequenos, somos limitados, somos pecadores. Daí não vai existir narcisismo. Entretanto, aprendemos e somos corrigidos pelo Cristo; amadurecemos e melhoramos. Mais do que felizes são os humildes de espírito. O orgulho é uma barreira para a felicidade. É assim que se lida com o desprezo e a rejeição: olhando para Cristo.

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