Reflexões sobre a vida do ponto de vista da Eternidade.

A vida do homem tem duas dimensões: vertical e horizontal. A vertical se refere à vida do homem em relação àquilo que o transcende, a Deus; a horizontal se refere à vida terrena – a relação do homem com seus semelhantes e com o ambiente a sua volta. A modernidade tem cada vez mais diminuído o horizonte da vida vertical, considerando que Deus não se comunica conosco, ou que Deus é uma “ideia”. A tal da “religião natural” que leva, inevitavelmente, a um ateísmo velado ou explícito. O homem, nesse contexto, volta toda a sua atenção à dimensão horizontal. Passa a ser o centro do universo; volta a sua atenção completamente para as coisas finitas; põe as suas vontades como objetivos máximos de sua vida, dando espaço para o caos, pois não há um princípio orientador de consciência. É aí que as maiores atrocidades que um ser humano é capaz de fazer começam a virar realidade.

Pensando sobre tudo isso, me lembrei das palavras de Cristo, no livro do Apocalipse: “Eu sou o Alfa e o Ômega, diz o Senhor Deus, aquele que é, que era e que há de vir, o Todo-Poderoso” (Ap 1.8). O plano da Eternidade elimina todo o caos da temporalidade. Foi isso que Ravi Zacharias disse numa de suas conferências. Na ocasião, um homem perguntou por que Deus permite o mal e Ravi respondeu de maneira brilhante e no meio de sua resposta ele me fez entender que na Eternidade toda a finitude dessa vida de sofrimento se reduzirá de tal forma que será insignificante. Talvez fosse isso que Paulo tinha em mente (em 2Coríntios 4) quando disse que nossas tribulações leves e passageiras nos dão um peso maior de glória na Eternidade. “Não atentando nós nas coisas que se vêem, mas nas que não se vêem; porque as que se vêem são temporais, e as que se não vêem são eternas” (2Co 4.18).

Kant diz que Deus é uma ideia unificadora – que dá sentido à multiplicidade. Porém, considerou como ilusão da razão. Não quero entrar aqui no que Kant entendia por Deus, mas isso nos mostra que quando um homem foca sua atenção verticalmente, em Deus, todo o horizontal, o temporal, ganha ordem e sentido. O temporal, na verdade, perde importância – e num dos paradoxos da existência, a vida terrena fica até mais prazerosa, porque está dentro do plano Eterno. As preocupações diminuem e os projetos de sociedade perfeita caem por terra, porque agora o homem que volta sua atenção a Deus sabe o que é importante e o que não é.

As palavras de Cristo são atemporais porque são eternas. Cristo é o começo, o meio e o fim de toda a existência. João nos diz que ele é o Logos Divino (Verbo) que estava na criação trazendo tudo à existência (João 1); Paulo confirma dizendo-nos que nele tudo subsiste (Colossenses 1.17); e o próprio Cristo dá o veredicto: “Eu sou o Alfa e o Ômega”. Todos os sofrimentos do mundo, pesados o quanto sejam, em Cristo, se reduzem a um grão de areia; pois o que é o sofrimento na Terra – que cessa com a morte – em face da Eternidade perfeita, que é Cristo?

No plano da Eternidade, a vida transcende os problemas e dificuldades temporais e aquilo que era valioso se torna refugo.

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