O homem quase racional

Max Scheler escreveu que se alguém perguntar a um europeu sobre o que é o homem, logo aparecem três ideias distintas: a concepção de homem judaico-cristã (homem caído, Adão e Eva, paraíso), a concepção grega (ser dotado de alma, intelecto preso num corpo) e a evolucionista (produto do desenvolvimento da natureza). As três muito diferentes umas das outras e até opostas, de certa maneira. Daí que o europeu, ou o ocidental, digamos, não saiba o que é o homem, de fato.

Ora, quando há três hipóteses sobre alguma questão, o certo é testar cada uma dentro daquilo que afirma para confirmar ou negar a hipótese. Se testarmos a concepção grega, vemos que ela é incompleta, como Viktor Frankl já demonstrou. Não somos apenas uma alma presa num corpo; tanto a alma quanto o corpo fazem parte do que chamamos de “eu”. Também não há evidências que somos apenas acidentes naturais, fruto da evolução. Antes que você torça o nariz, me responda: há alguma prova empírica do evolucionismo? Se monitorarmos as moscas por mil gerações, elas se tornarão besouros? E em qual geração há uma mudança de natureza, de maneira que a espécie anterior suma completamente? Sobrou a última, a judaico-cristã, que é descartada por ser uma concepção religiosa.

Mas alguém testou antes de descartar? Vejamos, a Bíblia diz que o homem é um ser criado por Deus à sua imagem e semelhança. Uma vez que Deus é a essência da sabedoria, isso explicaria porque o homem tem uma inteligência avançada em relação aos outros animais. Cada animal é governado apenas por seus impulsos e só pode sobreviver em um habitat definido, mas o homem consegue viver em diferentes ecossistemas e pode agir contra os seus impulsos. Essa autoconsciência é muito melhor explicada pela concepção cristã. A Bíblia também afirma que o homem fez mal uso de sua liberdade e foi o responsável pela quebra da ordem e harmonia perfeitas criadas por Deus e se tornou pecador, isto é, agente nas más ações. Ora, quem são os responsáveis pelas desgraças do mundo? Na grande maioria das vezes, o homem. Outra vez a Bíblia se corresponde com a realidade.

Mas como a religião foi descartada como “não-científica”, os intelectuais modernos ficaram com este problema — até hoje sem solução: o homem é um acidente da natureza, que chegou a um nível de desenvolvimento muito grande que descobriu que não sabe o que é. Bom… não deu muito certo essa evolução, você não acha?

Todos os que entram nesse negócio se perdem em conjecturas, em conceitos abstratos, e ninguém se entende. Na ânsia de ser o mais racional, acabaram chegando no irreal, que é pior que o irracional. Achando que sabiam ao menos uma coisinha sobre o homem, descobriram que nem isso sabiam. Como disse Jesus, àquele que tem muito, mais lhe será dado; àquele que não tem, até o que acha que tem lhe será tirado.

Na verdade, isso não é ciência, mas uma ideologia com um verniz de ciência. Dizer que a ciência pode explicar tudo é uma crença, apenas. O cientista estuda apenas um recorte da realidade, portanto, jamais estará habilitado a explicar a realidade inteira, mas apenas aquela fração pequena que estuda. E se coletarmos os dados de todos os ramos da ciência, veremos que eles são incompatíveis entre si, dificilmente acharemos uma conexão clara entre eles. Logo, é necessário encaixar todos esses dados numa cosmovisão mais profunda que a ciência, se quisermos ter alguma noção do que estamos fazendo aqui.

Entretanto, a cosmovisão pós-moderna joga o homem na dúvida eterna. O pós-modernismo se baseia, resumidamente, no relativismo. Ora, se tudo é relativo, ninguém sabe de nada. Se ninguém sabe de nada, os cientistas não sabem de nada. Se os cientistas não sabem de nada, os teóricos da ciência não sabem de nada. Então por que vocês estão estudando, cacete?

O cristianismo, porém, se mostra como a melhor explicação da realidade. Os dados científicos não contradizem a cosmovisão cristã, alguns até confirmam. Ou seja, até a ciência, “inimiga da crendice” (risos), tem lugar na cosmovisão cristã. Mas isso é simplesmente ignorado por aqueles que se intitulam racionais. Ou quase racionais.

“Tenho mais entendimento do que todos os meus mestres, porque os teus testemunhos são a minha meditação.” Salmos 119.99

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